Mapas Mundiais de Resistência e Cartografias Críticas na pauta do IAB RS

Data: 13/03/2019
Fonte: Sabrina Ortácio - jornalista

O IAB RS recebeu na noite desta quarta-feira (13/03) o lançamento do livro e exposição “Isso não é um Atlas”, do kollektiv Orangotango, movimento internacional representado pelo geógrafo alemão Paul Schweizer, que tem como foco o trabalho de base político-cultural e formas cotidianas de resistência na América Latina. A atividade na capital gaúcha foi articulada com o apoio do Núcleo de Estudos de Geografia e Ambiente (NEGA), Coletivo Ambiente Crítico e o curso de Geografia da UFRGS do Campus Litoral Norte.
 


“Queremos propor uma discussão apresentando mapas que são feitos como crítica a cartografia tradicional”, explicou Paul Schweizer. O projeto contínuo dos editores Kollektiv Orangotango destaca a compilação de mapas de resistência, cartografias críticas e coletivas de todo o mundo. No evento, os participantes puderam conferir a exposição de mapas evidenciando lutas políticas, ciência crítica, arte e pedagogia popular, e ainda participaram de uma oficina contribuindo com suas experiências de lutas e atuações para criação do mapeamento “Porto Alegre Insurgente”.
 

 
Para Sinthia Batista, professora do curso de Geografia da UFRGS, no litoral norte do Estado “o mapa é ensinado para nós como um produto acabado, e que precisa ser atualizado constantemente como espaço verdadeiro de como o mundo se apresenta para nós”. Par ela, ele é uma representação das nossas práticas espaciais e, portanto, também materializa nossas práticas sociais que são produzidas pelas relações de produção no mundo.  “O espaço não é algo pronto, mas produzido por diferentes sujeitos sociais, num tempo histórico e lugares determinados”, reforçou Sinthia. Segundo a professora, quando colocamos a justiça espacial em cheque, estamos reclamando que este espaço não pode ser representado por uma única classe social, por exemplo. “A nossa visão do mundo é determinada pela representação que chega até nós. O próprio globo é um lugar em movimento, quem dera fosse assim a produção das fronteiras”, destacou a professora de geografia da UFRGS.
 

Para Igor Vecchia, representante do Coletivo Ambiente Crítico, os mapas carregam um tensionamento de buscar uma representação mais autêntica de sujeitos excluídos por uma cartografia tradicional. “Os indígenas, por exemplo, têm uma representação cartográfica muito mais perto da realidade”, observou Vecchia. Para ele, na questão urbana, especificamente, a cartografia é muito importante para identificar lugares de remoções, as intensidades, avanços de fronteiras especulativas, pressão de mata nativa, entre outras situações encontradas nas cidades. “Fazer esse movimento de cartografar a partir de grupos, usando essa lógica, é mais uma ferramenta de resistência e fortalecimento de redes”, destacou Igor Vecchia.

O Livro “Isso não é um Atlas” foi lançado na Europa em outubro de 2018 e pode ser conferido em partes no site www.notatlas.org que traz diversas publicações de mapas críticos e militantes, dando visibilidade para essas realidades que não são retratadas. “Queremos desenvolver mais métodos e ter um material mais prático das cidades e do campo”, finalizou o alemão Paul Schweizer.