Receba Newsletter

Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Gênero e Cidade – Um debate entre mulheres

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
O IAB RS promoveu na noite da última quarta-feira (09/03) o debate “A mulher na cidade e na sociedade: conflitos, problemas, ameaças, alternativas”. O formato do evento foi de bate papo, seguido de debate e interação com o público.Participaram da mesa a arquiteta Cláudia Favaro, diretora do IAB RS e representante dos movimentos de moradia; a advogada Tâmara Biolo Soares, especialista em direitos humanos; a estudante Giulia Morschbacher, representante das meninas do colégio Anchieta; Bia Kern, representante do movimento Mulheres em Construção e da vereadora Fernanda Melchionna. A mediação do bate-papo foi da jornalista e radialista Kátia Suman.

Giulia Morschbacher, de apenas 15 anos, líder do movimento “Vai ter Shortinho Sim”, organizado pelas alunas do colégio Anchieta contou que o principal objetivo da ação foi a conscientização. “A direção do Anchieta liberou uma nota dizendo que eles iriam manter a regra e que essa era moral cristã da escola. Mas nós questionamos isso, e agora resolvemos fazer barulho”, destacou a menina. Giulia confessou que não esperava tanta repercussão nas redes sociais e imprensa. “Queríamos mostrar que o jovem pensa e que gosta de ler e escrever. Estamos questionando desde muito cedo”, explicou a estudante. “Mudança é evolução”, discursou Giulia.

A advogada Tâmara Soares começou sua fala com a saudação “Bem-vindas a revolução”. “Essas meninas de 15 anos são uma revolução! As mulheres sempre foram as idealizadoras e nunca se deu o valor merecido para isso. A mudança de visão que o feminismo traz para a humanidade é revolucionária e vai impactar mais que o fim do petróleo”, prosseguiu a advogada. Para ela, tudo é disputa de poder que se dá em todos os âmbitos da sociedade, e que começa dentro de casa. A advogada acredita que o machismo é retirar da mulher a possibilidade de assumir poder. “As mulheres grávidas, enquanto grávidas, são vítimas de violência por seus companheiros. Esse poder feminino justamente começa e se dá como desculpa para o binômio proteção, subjugação”, analisou Tâmara. Ela questionou: Como esse poder se constrói? “Eu te protejo porque tu és frágil em troca da tua subordinação”, refletiu ela.

Para a advogada as mulheres precisam se enxergar como sujeito de direito e dignidade. “Há pouco tempo atrás não ia ter shortinho. Cada vez mais estamos olhando a mesma realidade de uma forma revolucionária para a mulher”, concluiu.

A mediadora do evento, Katia Suman, fez questão de contar que na timeline do seu facebook encontrou várias postagens agressivas sobre a polêmica do shortinho. “Muitos defendiam que era uma questão de uniforme, ou que existiam assuntos muito mais importantes para se discutir”, contou a jornalista. Kátia acredita que as pessoas querem definir o que é causa justa ou não. “As regras estão aí para serem questionadas, se não fosse assim, as mulheres não votavam até hoje”, lembrou. Para o caso do Colégio Anchieta “os meninos poderiam usar focinheiras para domarem seus instintos”, provocou.

Bia Kern, do movimento Mulheres em Construção, abriu sua fala destacando que “Nós somos mulheres em construção permanente”. Ela conta que o movimento nasceu depois de muita “encrenca”, pois a mulher não tinha lugar na construção civil. “Esbocei um projeto para mulheres começarem a trabalhar em obra e conquistarem uma renda”, contou Bia. “Eu fui considerada louca porque a maioria dizia que era coisa de macho”. Tudo isso começou há 20 anos, mas somente há 10 anos que Bia Kern conseguiu uma parceira com a dona de uma ferragem para dar início ao seu projeto. Hoje, as Mulheres em Construção promovem cursos com turmas lotadas de pessoas de vários municípios. “A obra é uma parceria é um trabalho em equipe”, defendeu Bia. Mas a líder do movimento contou que ainda encontra dificuldades muito sérias. “Tem obra que não conseguimos trabalhar porque não existe banheiro feminino, um absurdo! ”, desabafou. Atualmente, os principais clientes das Mulheres em Construção são as próprias donas de casa.

“Nossa maior demanda ocorre em residências prestando serviços de hidráulica e construção. Mas também já construímos casas”, informou. Ela ainda comemorou que hoje os cursos contam com apoio internacional, de arquitetas e do grupo do Vila Flores.

A vereadora Fernanda Melchiona citou vários exemplos onde a mulher é minoria ou é prejudicada. “São apenas seis mulheres na Câmara Municipal de Porto Alegre”, disse. “Estou no segundo mandato, tenho 32 anos, e estava sempre nas lutas usando tênis e calça jeans. E teve um vereador que criou um projeto de lei que dizia como a gente deveria se vestir. Foi um debate muito parecido com a campanha do shortinho. Mas conseguimos acabar com essa ideia machista e conservadora”, contou Melchionna. Para ela, temos muito que avançar, como por exemplo na questão da violência doméstica, onde temos delegacias da mulher sucateadas e apenas uma Casa da Mulher para uma cidade do tamanho de Porto Alegre. Ou ainda na área da educação, que foi retirado do currículo das escolas a questão do gênero. “Também tem a questão do crime mais comum entre mulheres que é o estupro”, destacou a vereadora, informando que recentemente foram 27 mil casos no Brasil sendo que se estima que apenas 10% foram registrados.

“Eu queria dividir com vocês um projeto para combater os assédios. Penso na ideia das cotas de mulheres para táxi. Existe uma cultura ainda muito machista de empregar homens. Nós mulheres temos que ter o direito de escolher que uma mulher taxista venha nos buscar depois de uma festa na madrugada, iriamos mais tranquilas”, defendeu.

A arquiteta Claudia Favaro, representante dos movimentos de moradia, disse que o debate é uma provocação importante. “A mulher na vida cotidiana é que mais sofre com essa crise habitacional. É ela que é a protagonista por moradia. Nos movimentos são elas que sentem a falta de um lar para seus filhos”, defendeu Cláudia. Para a arquiteta, o fato da casa ser a segurança da família é relativo. “É na casa que se esconde a questão opressora da família”, lembrou. Na questão do transporte, a arquiteta disse que o sucessivo aumento no valor das passagens onera de forma violenta a renda da família.

Neste conjunto, Cláudia acredita que temos uma série de coisas que são prioridade muito antes da própria mulher. “Antes de olhar para ela, a mulher precisa olhar para os filhos, para o bairro, e ainda lutar para ela conseguir que a vida realmente fique melhor”, enfatizou. Na questão do trabalho, ela diz que as mulheres são as menos escolhidas. “E o que temos visto ultimamente são os inúmeros casos de cortes nas políticas, como o da secretaria da mulher. Estamos sempre por último na aplicação das políticas públicas, assim como no programa Minha Casa Minha Vida. E no contexto geral é uma ofensiva nos direitos gerais", disse. “De frágeis não temos nada. Aguentamos assédio sexual em todos os lugares, mas isso de alguma forma nos deixa mais forte”, refletiu Cláudia.

IAB - RS

Por: Diretoria Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB

Outras Notícias

Documentário “Vozes da arquitetura Porto Alegrense” encerra programação de aniversário do IAB RS

O último dia da programação especial que comemorou os 76 anos do IAB RS foi marcado pela exibição do documentário “Vozes da Arquitetura Porto Alegrense”. O filme, produzido pela entidade com apoio institucional do CAU/RS, reuniu depoimentos de 19 profissionais, que falaram sobre a profissão e suas percepções envolvendo aspectos como criatividade, coletividade e outros significados. Além da exibição, foram anunciados dois editais de cultura. 

Leia Mais →

NOTA PÚBLICA

As entidades Associação dos Técnicos de Nível Superior de Porto Alegre (Astec), Instituto de Arquitetos do Brasil – Depto Rio Grande do Sul (IAB RS), Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico (IBDU), ONG Acesso Cidadania e Direitos Humanos e Sociedade de Economia do Rio Grande do Sul (SOCECON) entraram com ação ordinária a fim de denunciar irregularidades identificadas no edital e processo eleitoral do Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano e Ambiental – Biênio 2024/2025. 

Leia Mais →

Desafios do planejamento urbano e gestão em Porto Alegre foram temas de debate no IAB RS

A relação envolvendo o setor imobiliário e a administração pública na Capital, bem como os desdobramentos da revisão do Plano Diretor e as eleições para o Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (CMDUA), foram alguns dos tópicos abordados no debate “Planejamento Urbano e Gestão: desafios atuais e perspectivas futuras para Porto Alegre”, que ocorreu no dia 28 de março na sede do IAB RS, em Porto Alegre.

Leia Mais →

Outras Notícias

Arquiteta Enilda Ribeiro é homenageada em evento do IAB RS

Para comemorar os 76 anos do Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento Rio Grande do Sul (IAB RS), a entidade planejou uma série com três eventos especiais para debater a profissão, relembrar a história e preservar memórias. Na primeira atividade, a palestra “Acervos em arquitetura e urbanismo – homenagem a Enilda Ribeiro” promoveu o encontro entre o professor da FAUUSP e coordenador da biblioteca da FAUUSP, Eduardo Costa; o membro do conselho consultivo do Centro de Memória CAU/RS, José Daniel Simões; e a copresidente do IAB RS e responsável pelo projeto documental, Bruna Tavares. 

Leia Mais →

IAB RS participa do painel RS Seguro COMunidade no South Summit

A copresidente Clarice Oliveira falou sobre a importância dos Concursos Públicos de Projeto e dos processos participativos que o IAB RS vem implantando junto ao governo do Estado. Durante sua fala, destacou que “o IAB RS desenvolve concursos de projeto urbanístico integrai que tem como um pilar muito importante a participação da comunidade no processo inicial de elaboração do programa de necessidades, que vai constituir as bases do concurso público de projetos”.

Leia Mais →

Arquiteta Enilda Ribeiro é destaque na coluna Almanaque, da Zero Hora

Enilda foi uma das primeiras mulheres a ser diplomada no curso específico em Arquitetura no Rio Grande do Sul. Além e ter lutado pela criação do curso superior de graduação na URFGS, foi presidente do IAB/RS entre 1980 e 1981. “Eu gostaria muito de ter conversado, em algum momento, com ela sobre os desafios que foram enfrentados, tanto no IAB-RS quanto em nível nacional, onde ela articulou a construção de ideias e diretrizes para a formação de um conselho próprio de arquitetura e urbanismo”, declarou a co-presidente do IAB/RS, Bruna Tavares.

Leia Mais →