Receba Newsletter

Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Uma aula com Célia Ferraz no Ciclo Desafios Urbanos do IAB-RS

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Uma aula sobre a história do centro de Porto Alegre e sobre os 100 anos do Plano de Melhoramentos da capital gaúcha.  Assim foi a palestra no IAB realizada no dia 13 de agosto, com a arquiteta e urbanista Célia Ferraz, professora da UFRGS.
Célia destacou a influência da política do positivismo, responsável pelo surgimento do Plano de Melhoramentos como instrumento do processo de planejamento. “Tivemos a valorização do saber técnico que estava explícito pela articulação dos engenheiros da comissão do Plano. As bases teóricas estavam calçadas no urbanismo haussmaniano, pós-haussmaniano, e também pelas ideias de Camillo Sitte e Saturnino de Brito, basicamente”, explicou.
A arquiteta explicou que quando Júlio de Castilhos assumiu o governo do Estado (1891), com uma política orientada pelo positivismo, foi dada ênfase à modernização da cidade, que passou a ser vista como cartão de visitas do Rio Grande do Sul. “Nessa onda de melhorias da infraestrutura urbana, o centro recebeu muitos incentivos, ao mesmo tempo em que se desencadeava um intenso programa de obras para construção de prédios públicos imponentes”, disse.
Ela explicou ainda que essa aceleração do crescimento, que durou até meados da década de 1930, renovou a paisagem urbana. Neste período, ergueram-se alguns dos mais significativos prédios públicos da capital, muitos carregados de simbolismos éticos, sociais e políticos, detalhes estes que se revelavam na decoração alegórica das fachadas. Célia citou como exemplo dessa arquitetura o Palácio Piratini, o Paço Municipal (Prefeitura), a Biblioteca Pública, o Banco da Província, os Correios e Telégrafos e a Delegacia Fiscal, sendo que muitos desses prédios foram construídos por arquitetos e engenheiros de origem alemã.
Célia Ferraz também mostrou imagens da abertura da Avenida Borges de Medeiros, que para ela, foi a primeira ruptura na cidade. Ela também falou sobre a desapropriação para a construção do viaduto da Borges, da avenida Salgado Filho, e de outra grande mudança que foi a rua Otávio Rocha, onde se abriu o quarteirão.
“No local da avenida André da Rocha, na primeira proposta iria passar a primeira perimetral. A avenida Perimetral, foi uma grande obra em função do riacho e do aterro. Já a rua Vasco da Gama foi indicação do engenheiros João Pereira Maciel (organizador do Plano Geral de Melhoramentos), que também fez o projeto do Parque da Redenção”, complementou.
Sobre a Orla, Célia Ferraz acredita que a proposta de cidade aberta foi extraordinária para a época. “A proposta da Orla foi muito parecida com as ideias de Saturnino nas Orlas de Santos”, observou.Mas como era cidade antes do Plano? Célia comentou que Porto alegre não tinha o mesmo desenvolvimento urbano de Montevideo e Buenos aires.  “Em 1893, um repórter americano ficou chocado com a capital gaúcha, dizendo que não tínhamos um avanço urbano como Buenos Aires e Montevideo. Esse era quadro antes do Plano do arquiteto Pereira Passos. Se bem que Porto Alegre tinha um padrão de cidade bem mais avançada em certas coisas”, destacou.  Ela acrescentou que no final do Império vieram técnicos que fizeram o Mercado Público e o estudo do Porto. “A organização do Plano é que conjugou tudo mais adiante. A ideia da modernização do Porto deu uma sugestão de melhoramentos dentro da cidade. E assim, em 1916, começou a aparecer plantas e a cidade começou a se entender. Já tínhamos áreas aterradas. O próprio mercado público já era um aterro”, contou.
Para a arquiteto André Huyer, mediador do evento, o Plano de Melhoramentos está em andamento até hoje e Porto Alegre foi incorporando isso ao longo do tempo. “Foi um Plano muito bom para o espaço público”, opinou a arquiteta Maria Tereza Albano.
Roberto Py, presidente do CAU RS, disse que comentar a história recente não é fácil. “Tenho uma convicção que fui egresso da antiga comissão de urbanismo. Com a transformação do Plano Diretor de Porto Alegre (PDPA) tenho a sensação que não conseguiram lidar com um plano econômico e ambiental ao mesmo tempo. Existe um decréscimo da participação da Prefeitura de Porto Alegre (PMPA) no crescimento da cidade. A PMPA perdeu o controle, e se tornou um órgão burocrático. O projeto era excelente, mas a administração municipal não conseguiu manejar. Estamos mal encaminhados hoje”, alertou Roberto Py.

 
 
 
IAB - RS

Por: Diretoria Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB

Outras Notícias

Documentário “Vozes da arquitetura Porto Alegrense” encerra programação de aniversário do IAB RS

O último dia da programação especial que comemorou os 76 anos do IAB RS foi marcado pela exibição do documentário “Vozes da Arquitetura Porto Alegrense”. O filme, produzido pela entidade com apoio institucional do CAU/RS, reuniu depoimentos de 19 profissionais, que falaram sobre a profissão e suas percepções envolvendo aspectos como criatividade, coletividade e outros significados. Além da exibição, foram anunciados dois editais de cultura. 

Leia Mais →

NOTA PÚBLICA

As entidades Associação dos Técnicos de Nível Superior de Porto Alegre (Astec), Instituto de Arquitetos do Brasil – Depto Rio Grande do Sul (IAB RS), Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico (IBDU), ONG Acesso Cidadania e Direitos Humanos e Sociedade de Economia do Rio Grande do Sul (SOCECON) entraram com ação ordinária a fim de denunciar irregularidades identificadas no edital e processo eleitoral do Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano e Ambiental – Biênio 2024/2025. 

Leia Mais →

Desafios do planejamento urbano e gestão em Porto Alegre foram temas de debate no IAB RS

A relação envolvendo o setor imobiliário e a administração pública na Capital, bem como os desdobramentos da revisão do Plano Diretor e as eleições para o Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (CMDUA), foram alguns dos tópicos abordados no debate “Planejamento Urbano e Gestão: desafios atuais e perspectivas futuras para Porto Alegre”, que ocorreu no dia 28 de março na sede do IAB RS, em Porto Alegre.

Leia Mais →

Outras Notícias

Arquiteta Enilda Ribeiro é homenageada em evento do IAB RS

Para comemorar os 76 anos do Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento Rio Grande do Sul (IAB RS), a entidade planejou uma série com três eventos especiais para debater a profissão, relembrar a história e preservar memórias. Na primeira atividade, a palestra “Acervos em arquitetura e urbanismo – homenagem a Enilda Ribeiro” promoveu o encontro entre o professor da FAUUSP e coordenador da biblioteca da FAUUSP, Eduardo Costa; o membro do conselho consultivo do Centro de Memória CAU/RS, José Daniel Simões; e a copresidente do IAB RS e responsável pelo projeto documental, Bruna Tavares. 

Leia Mais →

IAB RS participa do painel RS Seguro COMunidade no South Summit

A copresidente Clarice Oliveira falou sobre a importância dos Concursos Públicos de Projeto e dos processos participativos que o IAB RS vem implantando junto ao governo do Estado. Durante sua fala, destacou que “o IAB RS desenvolve concursos de projeto urbanístico integrai que tem como um pilar muito importante a participação da comunidade no processo inicial de elaboração do programa de necessidades, que vai constituir as bases do concurso público de projetos”.

Leia Mais →

Arquiteta Enilda Ribeiro é destaque na coluna Almanaque, da Zero Hora

Enilda foi uma das primeiras mulheres a ser diplomada no curso específico em Arquitetura no Rio Grande do Sul. Além e ter lutado pela criação do curso superior de graduação na URFGS, foi presidente do IAB/RS entre 1980 e 1981. “Eu gostaria muito de ter conversado, em algum momento, com ela sobre os desafios que foram enfrentados, tanto no IAB-RS quanto em nível nacional, onde ela articulou a construção de ideias e diretrizes para a formação de um conselho próprio de arquitetura e urbanismo”, declarou a co-presidente do IAB/RS, Bruna Tavares.

Leia Mais →