Receba Newsletter

Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

A harmonia entre arte e arquitetura

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin

Hoje indiscutivelmente reconhecido como instrumento essencial para o sucesso de qualquer negócio, o marketing, quando anunciado no Brasil na década de 70, foi ignorado, negado e desprezado. Também não foi fácil a aceitação do Design como elemento decisivo no diferencial dos produtos, inclusive nos meios profissionais da Arquitetura e da Engenharia. Para o arquiteto Nelson Ivan Petzold, da Bornancini Petzold & Müller Projeto de Produto, essa resistência, nas suas origens, foi devida em grande parte ao desconhecimento da essência da atividade do designer e pela confusão gerada com a tradução de “Design” (Projeto) por desenho, quando do batismo da profissão aqui no Brasil.
“Design não é apenas vestir um objeto” , esclarece ele. O designer trabalha com produtos que serão fabricados em série e o processo integral de criação exige conhecimentos muito diversificados que incluem, desde o domínio dos processos de fabricação, o uso adequado dos materiais (e seus custos), a correta avaliação de produtos similares existentes no mercado, até o impacto que os processos e os materiais escolhidos possam causar ao meio ambiente, enquanto usados e após o seu eventual descarte.
Petzold conta que iniciou a trabalhar em arquitetura como aluno em 1952, formando-se na turma de 1956 da UFRGS. Na época causava espécie que alguém não engenheiro, projetasse e construísse. Os trabalhos dos arquitetos pioneiros é que estabeleceu o reconhecimento e o respeito pela “nova” profissão. “Já então eu não me contentava em desenhar, por exemplo, uma esquadria. Eu queria saber como ela funcionaria, de que modo ela poderia ser feita melhor e mais barata. Me interessavam os detalhes.”
Em 1961 deixei o escritório de arquitetura ao qual estava associado e passei a dedicar-me à atividades didáticas na Faculdade de Arquitetura e na Escola de Engenharia da UFRGS para onde fui levado pelo Prof. José Carlos M. Bornancini, meu amigo e sócio até hoje. Foi com ele também que os primeiros trabalhos em Desenho Industrial foram iniciados junto à Wallig e à Jackwal.
DESENHO INDUSTRIAL & ARQUITETURA
Por muito tempo houve o sentimento de que a área de Desenho Industrial era uma espécie de feudo da Arquitetura. Hoje as áreas são mais definidas. Temos Faculdades de Desenho Industrial, inúmeros profissionais atuando no mercado e, de um modo geral, o reconhecimento da profissão. Ainda permanece um pouco vago para muitos empresários e mesmo para alguns profissionais designers a natureza e o verdadeiro objetivo de “Desenho Industrial” como instrumento de qualificação dos produtos. Existe uma nítida diferença na abordagem dos problemas e no encaminhamento das soluções na Arquitetura e no Desenho Industrial: “Eu não saberia mais enfrentar o processo de síntese de milhares de alternativas para projetar uma residência mas me sentiria muito a vontade para analisar as implicações industriais necessárias para a ‘fabricação’ de algumas centenas ou milhares de casas”.
Para Petzold, haverá sempre alguma superposiçãode áreas porque a diversidade de campos de atuação em Design é quase infinita. Seria impossível impedir, por qualquer regulamentação profissional, que pessoas capazes exerçam suas capacidades de designers, sejam elas adquiridas em bancos escolares, em faculdades, em experiência de vida ou até mesmo por desígnios genéticos.
A FÁBRICA DE ACORDEÕES QUE SE TRRANSFORMOU EM FÁBRICA DE MÓVEIS DE COZINHA
Ao longo dos seus 40 anos como designer muitos foram os desafios propostos a Petzold e seu sócio Bornancini para desenvolver ou melhorar produtos. Um exemplo é a Todeschini, tradicional fabricante de acordeões que se viu forçada a alterar seus rumos por pressão de vendas cada vez mais reduzidas devido a alterações de gosto, comportamento e exigências de mercado que então desligava-se de instrumentos somente “acústicos”.
O desafio era propor alternativas de produto que a empresa pudesse fabricar, com mínima adaptação dos equipamentos existentes para a produção dos acordeões. A solução proposta pelos designers foi produzir, em placas de madeira reconstituída, móveis componíveis para cozinha. Esse projeto foi um marco na indústria moveleira de Bento Gonçalves, que recém iniciava. O estudo, que teve a colaboração do estudante João T. Busko, envolveu desde a composição de materiais e preços, novos processos construtivos, embalagens para os componentes dos móveis até manuais de montagem, num envolvimento total com a fábrica, seu quadro de funcionários e seus dirigentes. Até hoje os designers se emocionam com o alcance deste projeto e principalmente com a coragem demonstrada pelos responsáveis pela Todeschini em assumir tamanha mudança. “O compromisso do Designer Industrial é fazer objetos não apenas em grandes quantidades, mas fazê-los inovadores, seguros e confiáveis, produzidos de maneira mais racional, mais baratos e com mais qualidade e que sejam estimulantes aos sentidos e ao intelecto”.

Por: Diretoria Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB

Outras Notícias

Outras Notícias