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A criação de um Instituto de Cidades e os desafios urbanos da capital foram pauta de mesa redonda no IAB-RS

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A criação de um Instituto de Cidades composto por representantes de diversas áreas da sociedade foi sugerida pelo vice-prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, durante a mesa redonda “Desafios Urbanos – 1º Diálogo IAB RS + PMPA”, promovida pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RS) na noite da última quarta-feira (30/04) na sede da entidade. “Tá caindo de maduro para Porto Alegre ter um instituto que crie ações urbanas compartilhadas”, disse Melo, aproveitando o ato para convidar o IAB para participar. Melo destacou que não existe cidade ideal e nem plano diretor ideal, e sim existem muitos interesses. “Todos os problemas que estão acontecendo hoje são consequência das gestões urbanas dos últimos 30 anos”, afirmou o vice-prefeito.
Durante duas horas, o auditório no Solar do IAB foi palco de questionamentos, declarações, críticas, e manifestações sobre mobilidade urbana, patrimônio histórico, mercado imobiliário, integração com região metropolitana, concursos públicos, obras da cidade, melhorias dos espaços urbanos, entre outros temas. Na mesa, mediada pelo jornalista André Machado, estavam o presidente do IAB-RS, Tiago Holzmann da Silva; o vice-prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo; o ex-presidente do IAB RS e IAB nacional, Telmo Magadan; e a arquiteta Luciane Zanette, representando a Secretaria de Urbanismo da capital.

“Sou favorável de adensar a cidade e aproveitar os equipamentos públicos que a cidade já tem”, opinou Sebastião Melo.
Melo acredita que o Brasil sofreu um crescimento desgovernado com uma concentração de recursos no governo federal, e os governantes das cidades vem sofrendo uma pressão diária. “Eu sou mais favorável de adensar a cidade e aproveitar os equipamentos públicos que a cidade já tem”, opinou. Sobre a questão da mobilidade urbana, Melo criticou: “O Brasil está 30 anos atrasado. É um absurdo a forma que a indústria automotiva vem sendo incentivada”.

“O planejamento urbano se perdeu e virou assunto político”, observou Telmo Magadan
Telmo Magadan concordou com o vice-prefeito nesta questão. “Temos uma lógica perversa neste incentivo desgovernado dos automóveis e também no mercado imobiliário”, acrescentou o ex-presidente do IAB. Para Magadan, o planejamento urbano se perdeu e virou assunto político. Ele disse ainda que a transformação do espaço urbano em valor econômico deve ser questionada. Hoje falta projeto viário e urbano, falta uma articulação entre as secretarias de urbanismo e EPTC, para resolver o espaço e a mobilidade urbana. “Vocês notaram que em Porto Alegre só se pode virar à direita nas vias?”, criticou o ex-presidente do IAB, citando como principal exemplo da Avenida Carlos Gomes.
“As sete estratégias do Plano Diretor serão recuperadas e atacadas a partir de coordenações específicas”, anunciou a arquiteta Luciane Zanette, representando a Secretaria de Urbanismo de Porto Alegre
No momento reservado para a Secretaria de Urbanismo se manifestar, a arquiteta Luciane Zanette informou que estava participando como técnica. “Estamos passando por um processo de reestruturação”. Zanette afirmou que a intenção da secretaria é atender o melhor possível e anunciou: “As sete estratégias do Plano Diretor serão atacadas a partir de coordenações exclusivas que estão sendo criadas para cada área. Estas coordenações serão responsáveis pela revisão dos projetos”, adiantou a arquiteta.
“O poder público tem que assumir sua responsabilidade de maneira pública e democrática”, criticou o presidente do IAB-RS, Tiago Holzmann da Silva.
Um dos pontos altos do debate foram os questionamentos do presidente do IAB-RS, Tiago Holzmann da Silva. “Como fazer para superar todos estes problemas? Como está hoje o planejamento em Porto Alegre? O que estão fazendo? Como podemos participar? Qual o endereço para a gente mostrar nossas ideias?”, perguntou Silva, em tom de crítica a capacidade do governo municipal de enfrentar os atuais problemas urbanos.
O presidente do IAB-RS questionou ainda: “Que cidades que queremos?”. Para ele, não existe um grupo pensando a cidade de maneira coletiva e pública. “É urgente que seja retomado essa participação como vontade política para o desenvolvimento da cidade”, enfatizou. Para ele, o CMDUA está esvaziado como espaço de discussão do planejamento. “A prefeitura não tem dado espaço para a discussão pública dos projetos para a cidade. Neste ponto, existe uma clara pré-disposição contra os concursos públicos. Os grandes projetos são quase secretos”, criticou.
Tiago Holzmann da Silva afirmou também que a sociedade tem assistido a doação de projetos e o IAB não pode ficar calado. “A prática dos concursos públicos é uma luta nacional do IAB”, destacou.  Sobre a iniciativa do grupo Mobicidade o presidente do IAB-RS foi claro: “Essa iniciativa é competente, mas o processo de melhoramento por esta forma nos preocupa. O poder público tem que assumir sua responsabilidade de maneira pública e democrática e incentivar a participação de todos”. Para contribuir com bons exemplos de projeto urbanos, o presidente citou Bogotá e Medellin, na Colômbia e cidade de Rosário, na Argentina, que estão mostrando boas práticas urbanas.
O contraponto do vice-prefeito:
Erros do Governo:
“Todos os governos cometem erros, nós cometemos erros, mas estamos fazendo muitos projetos positivos para desenvolvimento de Porto Alegre, a Avenida Tronco é um bom exemplo, com investimento de R$ 156 milhões, teremos uma via fundamental para a situação de mobilidade da Zona Sul, e além disso teremos 1.525 famílias da região reassentadas”.
Concursos Públicos:
“Não somos contra aos concursos públicos, pelo contrário, são bem vindos. Só achamos que nem toda a obra precisa ter concurso”.
Transporte urbano:
“A médio e longo prazo temos que qualificar o transporte urbano. Temos que explorar mais questão fluvial da cidade. De concreto temos as obras de BRTS e o Metrô para melhorar as questões problemáticas”.
Espaços Urbanos:
“Temos que repensar novos espaços urbanos. Especulação imobiliária existe em qualquer lugar do mundo. O que temos que é ter uma lógica que não prejudique a cidade. Sou favorável ao uso misto da cidade”.
O encerramento:
Tiago Holzmann da Silva encerrou o debate voltando ao assunto dos concursos públicos. “Que bom que a prefeitura não é contra aos concursos públicos, e também achamos que não precisa ter concurso para todas as obras, mas achamos também, que não é correto não ter nenhum concurso, principalmente neste momento que a cidade está repleta de novos empreendimentos públicos”, respondeu o presidente do IAB-RS.
Silva disse com otimismo que hoje temos boas oportunidades de construir um projeto de cidade. “Podemos aproveitar os recursos financeiros e humanos que dispomos no momento, para que nossos investimentos resolvam os problemas de maneira integrada. São muitos os desafios, mas se discutirmos isso de forma pública e democrática poderemos ter um belo projeto para a cidade”, concluiu o presidente do IAB-RS. No momento, ele também aproveitou para convidar o público para um próximo debate. “Temos muitos assuntos que não se esgotam aqui”, provocou. Com o vice-prefeito, Silva encerrou o diálogo deixando um recado positivo: “que tua postura como administrador possa contaminar outros membros do governo municipal”.

Por: Diretoria Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB

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