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Anfiteatro Pôr-do-Sol – Palavra do Arquiteto

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Foi com bastante surpresa que ao abrir o JORNAL DO IAB li a matéria apresentada na seção “A Palavra do Arquiteto”, escrita por Júlio Curtis, meu professor na década de 70, na Faculdade de Arquitetura da UFRGS. Li atentamente, tendo em vista minha admiração pelo arquiteto que a escrevia, manifestando-se de imediato a vontade de responder pelo menos parte das críticas feitas. Ressenti-me no parágrafo em que se lê: “…um bom projeto poder-se-ia originar também na Prefeitura” …. “Poder-se-ia também” são palavras deveras evasivas, eis que posso citar, trabalhando na Prefeitura, inúmeros projetos elaborados por profissionais competentes, dedicados e talentosos. Some-se a isto as condições de trabalho que temos e as obras construídas com cortes orçamentários e deduzo que o “poder-se-ia” e o “também” perdem o sentido na frase.
Tenho a expor que o primeiro projeto do anfiteatro em que trabalhei data de 1992 e foi elaborado por arquitetos da Prefeitura.
Em outro parágrafo fala o professor Curtis na censura estética. Quem o fará? Com que bagagem? E como censurar os censores e seus parâmetros de censura?
Quando ao projeto paisagístico, último refeito em 1998, de que não fala o artigo, ainda não foi totalmente implantado e levaremos anos até ver a massa vegetal proposta crescida. Neste último projeto, em que também trabalhei, foi implantado palco de autoria do arquiteto Glauco Campelo, convidado pela Fundação Roberto Marinho, que pagou pela construção deste e utilizou dentro dos conceitos próprios, profissional de sua confiança.
Acompanhei a criação das formas desde o início como autora do plano geral.
Partindo da necessidade de utilizar-se caixa de urdimento para possibilitar a apresentação de óperas, não há formas de escondê-las. As dimensões do palco são estritamente técnicas e oferecem guarida a balés, orquestras sinfônicas, óperas, peças teatrais, etc. Qualquer tentativa de diminui-lo nos teria roubado de ter acesso popular a um desses espetáculos.
Referir-se a partes do projeto como pernas, tórax e saia “evasée” mascara com ironia elementos indispensáveis ao funcionamento do palco.
Num teatro, temos a possibilidade de, com uso de expedientes arquitetônicos, camuflar estas alturas e larguras. Desafia-nos, ao ar livre, mantê-las íntegras. Não é tarefa fácil. Não se trata de “um elefante branco”. Breve o palco terá cores.
As árvores nativas que estão sendo plantadas na área, no futuro deixarão mais suaves as formas hoje sozinhas. Como aconteceu no passado, no início de algumas cidades, imensos edifícios hoje perdem-se no traçado urbano.
O palco é um dos componentes de um parque cujo projeto está pronto e deverá ser construído aos poucos. Vamos esperar para ver. Arq. Ana Maria Germani
DPC/SUPPJ/SMAM

Por: Diretoria Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB

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