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Avaliação pós-ocupação: como qualificar espaços e satisfazer usuários

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Como saber, se o seu cliente ficou satisfeito com o trabalho executado? Há tempo e disponibilidade para indagar? Há perguntas sem respostas? Será que ficou bom? O cliente não voltou… Qual seria o motivo? As perguntas podem ser muitas, mas quem possui tempo para pesquisar, organizar dados e concluir? Crescer com a experiência conhecendo acertos e desacertos é importante, pois nem sempre o que se fez na boa intenção, resultou adequado e, muitas vezes, os autores dos projetos podem se surpreender com muitos acertos. Um feedback é o que a Avaliação Pós-Ocupação pode fornecer e, conseqüentemente, enriquecer um próximo trabalho. A APO é uma ciência nova que começou nos Estados Unidos em meados do século XX. No Brasil, ainda é pouco conhecida, mas já existem diversos grupos atuando em várias frentes, equipes multiprofissionais, balizando novos projetos para qualificar ambiente, considerando cada vez mais, as necessidades dos seus usuários.
Como escreveu ORNSTEIN (1992; p.33) “a aplicação de métodos de APO sempre ocorreu, em maior escala, nos estudos relativos a relação ambiente e comportamento”. Ela afirma que uma APO se aplica em mais do que isto, ela insere a incógnita “ambiente” na equação indivíduo + comportamento”. Entre os pesquisadores, cita diversos profissionais, entre eles, os arquitetos Kevin Lynch e Cristopher Alexander.
Uma APO é feita não só para avaliar comportamentos. Ela é um conjunto de processos avaliativos que inclui desde o processo projetual e construtivo, quando são verificados os níveis de conforto, a funcionalidade, a segurança, a acessibilidade, o desempenho dos materiais utilizados, as modificações feitas no decorrer da vida útil do ambiente em estudo. O que a diferencia de um estudo do ambiente é a participação do usuário no processo de pesquisa. Com os dados que ele fornece, descobre-se o seu grau de satisfação.
Com a APO, pode-se descobrir se há problema, qual é e onde ele está, suas causas. Trazê-lo à tona, valoriza o empreendedor de qualquer investimento e lhe dá credibilidade. Muitos investimentos não teriam ido para um buraco negro se, além dos estudos de viabilidade econômica, uma APO houvesse sido feita em espaços similares. Conhecer o envolvimento do usuário nos espaços ocupados, também democratiza as decisões de projeto, pois o homem é a parte dinâmica nos ambientes, é quem interfere, destruindo ou qualificando.
Avaliação Pós-Ocupação é uma disciplina curricular do 6º semestre da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul que proporciona ao aluno, o questionamento sobre o resultado de seu próprio trabalho e de outros profissionais, sobre o espaço projetado para o outro, sobre a ética e a técnica de coleta de dados, sobre múltiplas variáveis e relações existentes entre projeto e resultado – quando o ser humano se apropriou do espaço criado e o fez lugar. Além da pesquisa para se obter o grau de satisfação dos usuários de um espaço, são feitas as análises tecno-construtiva, funcional e comportamental em edificações.
A APO chegou para ficar, para reduzir custos de investimento, para aumentar a produtividade, para nortear projetos mais qualitativos. Os temas podem ser os mais variados e o foco, diversificado. Sua aplicabilidade encontra campo tanto em áreas urbanas e em edificações de porte, quanto em pequenos ambientes e objetos.
Uma Avaliação Pós-Ocupação só tem a acrescentar, pois cada vez mais, nesse processo globalizante, a responsabilidade pela qualidade de vida das próximas gerações dependerá do acerto nas escolhas. Arq. Marilice Costi
Mestre em Arquitetura, professora de APO na FAU – PUCRS e profissional atuante no mercado

Por: Diretoria Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB

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