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Dia do Professor foi comemorado com Debate no IAB RS

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O Dia do Professor no IAB RS foi comemorado com um debate sobre o Ensino da Arquitetura e Urbanismo, no evento Quarta do IAB ao Vivo. O evento ocorreu na noite do dia 15 de outubro, com a participação dos debatedores prof. arq. João Rovati, da UFRGS; prof. arq. Adalberto Heck, da Unisinos; prof. arq. Nino Machado, da FAU/IMED Passo Fundo e da Comissão de Ensino do CAU RS; e o arq. e mestrando André Ripoll. A mediação foi do arq. Ednezer Flores, diretor do IAB RS.
Para Adalberto Heck, professor da Unisinos, o ensino da arquitetura não se resolve com a mera transmissão do conhecimento. “Eu vejo nosso ensino prejudicado quando é transmitido na mesma lógica. Cada curso precisa cobrir o leque de atribuições dos profissionais com novo enfoque.  É muito diferente ter uma universidade em Porto Alegre e outra em Tocantins.  Isso não é uma visão que aqui tem um desenvolvimento maior ou menor. Pelo contrário. Acho que a formação acadêmica tem que ter vinculação com a sociedade que ela está inserida”, destacou Heck. Para ele, também temos que discutir o papel das instituições. “A oferta de cursos está distorcida. Hoje existem instituições que querem vender diploma. Desta forma o ensino superior vira plano de carreira e não para formar profissionais”, criticou Heck.
O professor Nino Machado, da FAU IMED Passo Fundo, disse que no Brasil a formação profissional efetiva, ainda é privilégio de um número restrito de pessoas. “Nós professores dos cursos de arquitetura estimulamos muitas vezes a ideia dos “super” arquitetos. “E vemos isso, por exemplo, principalmente nos trabalhos de conclusão, onde os projetos são mirabolantes com pouca chance de serem executados”, observou Machado.  Ele acredita que o aluno sai da faculdade sem preparo para as demandas de arquitetura do cotidiano. “Quando saem do curso estão preocupados em representar modelos em maquetes e desenhos, mas não sabem, por exemplo, construir a casinha do cachorro”, afirmou. Machado diz que existe uma dissociação entre aquilo que quer se representar, usando meios tecnologia e comunicação, com a realidade da execução. Para o professor Nino Machado, um dos maiores desafios da arquitetura é o foco na demanda efetiva do exercício da arquitetura. Outro ponto destacado por ele é a questão de que o estudante de arquitetura sai para o mercado sem saber que existe uma burocracia do poder público, que precisa ser enfrentada para se conseguir trabalhar. “Isso ele não vê isso em faculdade nenhuma. Além disso, eles não sabem cobrar honorários”, acrescenta. Nino Machado também destacou que muito mais importante que objeto arquitetônico, é a vida das pessoas que vão usar aquilo. E para ele, falta para o universitário ver isso. 
O arquiteto Ednezer Flores, mediador do evento, destacou que um professor não tem que dar solução, tem que mostrar o caminho. Flores acha que um professor deve trazer projetos que possam ser colocados em prática. “Sinto falta de ver mais informação nas faculdades sobre moradia popular. Pois no meu ponto de vista, todo o profissional que faça um ensino superior tem que estar a serviço da sociedade e contribuindo para uma evolução”, destacou o arquiteto. Para Machado, também é preciso trabalhar a questão da gestão macro e regional da educação, para melhorar a qualificação.  “Penso ainda na questão da humanização da arquitetura, para que na hora de fazer o projeto se valorize mais quem vai usá-lo”, destacou o mediador do evento. Como exemplo disso, Machado lembrou uma visita que fez em um hospital, onde o espaço e as portas de acesso aos pacientes eram totalmente discriminatórios para aqueles que não tinham plano de saúde. “Essa questão está na formação do arquiteto”, criticou.
O professor João Rovati, da UFRGS, disse que é grato a universidade pública, mas infelizmente vê hoje que os planos de carreira estão implantados nas universidades. Antes” tínhamos profissionais com escritório e que eram professor. Hoje isso mudou”, citou como exemplo.  Sobre prestação de serviço, Rovati disse que a universidade tem que se integrar a processos para formação de alunos, por meio de pesquisa e ações pontuais de extensão. “Mas não é função da universidade prestar serviços.  Temos que ser competentes neste plano, mas não se isolar das atividades práticas”, observou. Para encerrar, Rovati destacou que precisamos formar pessoas com excelente nível crítico, por que isso vai ser necessário na vida do profissional. “A universidade tem que criar uma inquietude de forma que a pessoa sempre se coloque numa posição crítica e ao mesmo tempo conforme”, finalizou Rovati.
O mestrando em Arquitetura, André Ripoll, relatou algumas brechas que faltam serem vistas dentro das faculdades.  “A questão de lidar com equipes é uma delas, pois na prática lidamos muito com isso”, lembrou. Para Ripoll, também existe uma desconexão da prática espacial com relação a concepção do objeto. “A gente esquece que uma grande parte da população brasileira vive informalmente, sem intervenção arquitetônica, construindo seus barracos, intervindo em seus espaços. São praticas espaciais que não temos contatos em nossa formação. Quando é que vamos ver favelas na nossa faculdade, não temos essa visão sanitarista da cidade. Esse conteúdo da arquitetura com foco no objeto tem uma consequência final com a questão do diploma universitário ter este status”, criticou.  Ele informou que teve formação na UFRGS e aposta do formato dos escritórios modelos, que dão espaços para trabalhar com pesquisas de comunidades. Outro ponto abordado pelo mestrando, foi a questão das cotas da universidade. “É importante para pensar para quem serve a academia. Sobre vontades coletivas, são importantes as divergências e o respeito ao diferente. E só podemos ter isso convivendo com o diferente, por isso são importante as cotas da universidade e a extensão universitária, aproximando a comunidade da universidade. Trazendo pessoas mais diferentes possíveis”, disse Ripoll, defendo a preservação do escritório modelo dentro das Faculdades.  “Dentro da nossa formação como cidadão isso é importante, o treinamento através da experiência com o diferente”, conclui André Ripoll.
 

Por: Diretoria Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB

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