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Mobilidade Urbana foi tema de debate no IAB

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Um auditório lotado de pessoas interessadas em discutir a questão da mobilidade urbana em Porto Alegre. Assim foi a última edição da “Quarta no IAB”, realizada na noite dessa quarta-feira (19/06) na sede da entidade, reunindo arquitetos, urbanistas, políticos, imprensa e membros da comunidade.
O debate mediado pela arquiteta Maria Tereza Albano contou com apresentação dos arquitetos Emilio Merino e Benamy Turkienicz, que mostraram a todos suas experiências no tratamento das questões urbanas relacionadas com as demandas de um projeto de cidade.

Para Merino, se o objetivo do transporte é facilitar o movimento das pessoas e mercadorias, tem que se buscar a sustentabilidade através da promoção dos meios de transporte que facilitem o deslocamento com um menor impacto ambiental e social, eliminando os deslocamentos desnecessários, principalmente em veículos privados.
Segundo ele, a gestão da mobilidade compreende que a utilização do transporte seja eficiente desde o ponto econômico, social e ambiental. “O pedestre hoje é o último a ser considerado”, criticou o arquiteto que atualmente é assessor do Ministério das Cidades, e viaja por diversos municípios do Brasil pesquisando sobre mobilidade. Ele ainda provocou dizendo que a pergunta que devemos fazer para os governos é que tipo de cidade que queremos e não que tipo de transporte.

“Se não tivermos um planejamento territorial com participação democrática, dificilmente teremos cidades melhores. Mas será que temos capacidade para nos adequarmos?, questionou Merino, dizendo ainda que “somente com compromisso é que podemos mudar”. Para ele, cabe aos arquitetos fornecer os conceitos profundos para um melhor projeto de cidade.
O arquiteto Benamy Turkienicz, professor da UFRGS, trouxe para o debate a sua visão sobre a defasagem e as poucas disciplinas dedicadas ao ensino do urbanismo dentro das faculdades. “Nem 10% das escolas de arquitetura correspondem a área de urbanismo. Isso tem que ser corrigido”, defendeu Turkienicz. Ele informou que hoje temos 20 cursos de pós-graduação vinculados a arquitetura e menos de 10% com foco no urbanismo. “É com essa realidade que nossos arquitetos saem da academia para atuarem em prefeituras. Não existe uma base sólida de urbanismo”, alertou ele, calculando que o Brasil precisaria colocar hoje 15 mil urbanistas atuando nos municípios do país.

Para Turkienicz, a questão da mobilidade tem envolvido apenas a engenharia de tráfego porque os arquitetos não são chamados para trabalhar com isso. “Se não avançarmos como a engenharia está fazendo, não vamos alcançar a resposta que as cidades esperam de nós arquitetos”, destacou. Ele disse que precisamos interagir com modelos de tecnologia que estão sendo utilizados no mundo para aperfeiçoar o aprendizado na hora de pensar os projetos.
O arquiteto afirmou também que os problemas enfrentados nas cidades hoje são por falta de planejamento. “Estamos atuando em projetos que deveriam ter sido feitos há 20 anos, ou seja, empregando dinheiro para solucionar velhos problemas com velhas soluções”, alertou.
“Fizemos diversos estudos de solo em regiões como a do Aeroporto, Protásio Alves, Humaitá, Dilúvio, Mato Sampaio, entre muitas outras áreas, apontando espaços com potencial para construção, com a preocupação do acesso aos recursos comerciais e educacionais. Foram feitas diversas propostas e simulações de crescimento de cidade, evidenciando um sistema integrado de transporte, de tipologia urbana e impactos ambientais, mas nada foi utilizado pelos governantes da cidade nas últimas décadas”, lamentou Turkienicz.
Para a arquiteta Maria Tereza Albano, organizadora do debate, o evento contribuiu para uma reflexão profunda sobre a mobilidade urbana. “Esse encontro nos provocou com a seguinte questão: Qual a cidade que podemos a partir do que queremos?”, destacou. “Temos que pensar agora como projetar a cidade pelo seu desempenho, mas temos muito que fazer”, analisou.

O presidente do IAB RS, arquiteto Tiago Holzmann da Silva, provocou os palestrantes questionando a falta de recursos financeiros para o desenvolvimento de projetos de qualidade, ou seja, há algum recurso para planejar e muito recurso para obras, entretanto não há financiamento público de projetos, e menos ainda para concursos públicos, quem sabe o maior problema da falta de qualidade das obras públicas no Brasil.
O evento das "quartas no IAB" tem patrocínio da CAIXA e Governo Federal, é realizado semanalmente no Solar do IAB e tem entrada franca.
Por Sabrina Ortácio – Jornalista MTB/RS 11.002

Por: Diretoria Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB

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