Receba Newsletter

Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

OSPA- PATRIMÔNIO do Rio Grande do Sul

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin

Uma sede para as atividades da OSPA – Orquestra Sinfônica de Porto Alegre faz-se necessária. A instituição OSPA é um patrimônio cultural do Rio Grande do Sul. A OSPA toca todos os corações gaúchos. Rompeu o caráter elitista da música sinfônica, conquistou novos espaços de audiência, ganhou as praças e parques e aproximou-se da população em geral. Hoje, como uma instituição cultural pública de enorme prestígio no Estado e no País, tem seu potencial de atuação refreado pela falta de infra-estrutura de apresentação, de formação, de produção e de desenvolvimento de programas musicais. A Orquestra Sinfônica de Porto Alegre tem perseverado na tentativa de construir sua sede própria. Em 1998, promoveu um concurso público para a escolha de um projeto arquitetônico, nas proximidades da Usina do Gasômetro e do Cais Mauá, junto ao Guaíba, desenvolvido até a sua fase executiva. No entanto, o projeto foi arquivado sem um esclarecimento público adequado. No início de 2003, o assunto retornou com intensidade aos meios de comunicação, e a OSPA, após várias especulações quanto ao local e ao aproveitamento de prédios existentes, contratou um novo projeto, por escolha direta de seu presidente, a ser erguido junto ao Shopping Total. No entanto, passados mais de dois anos, percebe-se que novamente a obra não iniciou. O longo período de gestação da viabilidade da nova sede da OSPA, os entraves encontrados, as posições antagônicas em relação aos dois projetos contratados são fatos que solicitam um esclarecimento à opinião pública. Na realidade, a solução para a sede da OSPA envolve muito mais do que a construção de um edifício sede. Seu processo expõe as maneiras como o poder público e a sociedade tratam a preservação, a produção e o desenvolvimento do seu patrimônio público e da sua cidade. Exige, portanto, uma situação na cidade com referências urbanas adequadas ao seu valor simbólico. Neste aspecto, os locais dos dois projetos são bem distintos. A área junto ao rio, à qual se refere o concurso público realizado, além de quesitos dimensionais, acessibilidade, visualização, convívio com outras atividades culturais e de lazer, proporciona como pano de fundo para a Orquestra uma paisagem notável dada pela borda do Guaíba e pelo pôr-do-sol. Obras conhecidas como a Ópera de Sidney, o Royal Festival Hall, de Londres, e a Ópera de Gotemburgo são alguns casos de edifícios destinados a espetáculos musicais que foram construídos junto à água (baía, rio), tirando partido dessa posição privilegiada e ganhando enormemente em expressividade. Pela escolha do local e pelas inovações arquitetônicas, tornaram-se reconhecidos símbolos de suas nações ou cidades. Certamente a inscrição da imagem da Orquestra na silhueta da cidade projetada no Guaíba seria um gesto delicado da cidade para com a sua Sinfônica. Em contrapartida, a instalação da Orquestra neste local daria o tom para o outro projeto importante para a cidade que é a revitalização desta parte da orla, do Cais Mauá até a Usina do Gasômetro. A segunda proposta optou pela localização da OSPA numa faixa lateral do terreno do Shopping Total voltada para a avenida Cristóvão Colombo, entre o estacionamento do shopping e um edifício de habitação. Neste caso, dá-se a inserção da Orquestra num expressivo conjunto histórico da Cervejaria Brahma. Coadjuvante, além de não ser necessário, do ponto de vista dos interesses da sociedade, para o notável patrimônio existente, diante da conformação urbana do local, o teatro da OSPA ficaria sem visibilidade – uma fachada escondida e inadequada para a imagem desta importante instituição cultural. No caso do projeto junto ao rio, escolhido por concurso público, com júri internacional, entre 70 equipes inscritas e 32 trabalhos entregues, o meio profissional, acadêmico e editorial e o público em geral podem conhecer, discutir e aprofundar os fundamentos da concepção arquitetônica. Isto é uma forma de fazer cultura. Ao contrário, o segundo projeto apresenta-se, tal qual o seu local, escondido, nebulosamente apresentado em imagens digitais impressas nos meios de comunicação, com pouca resolução e informação. Comparando os locais e os modos como a OSPA se insere diferentemente no contexto urbano e cultural a partir dos dois projetos, Porto Alegre parece destinada a amargar soluções pontuais que privilegiam aspectos pragmáticos (econômicos, funcionais, etc.) em detrimento de uma visão integrada pela qualidade arquitetônica e urbanística. O processo de escolha do local, a elaboração do projeto arquitetônico e urbanístico, e de todos os seus complementares, e a sua concretização deveriam ser tarefas para a comunidade, para os técnicos, e para a administração pública, cada qual com suas atribuições e competências: a comunidade com sua participação em audiência pública, os técnicos com a sua criatividade e com o seu conhecimento, e a administração pública como moderadora e gerenciadora da coisa pública. Para viabilizar um projeto desta magnitude deveriam ser exigidos estudos, análises e avaliações técnicas prévias: avaliações dos parâmetros que regem a urbanidade, como o impacto ambiental e de vizinhança, a circulação e a mobilidade urbana; a compatibilização com os serviços públicos; respeitando-se os pareceres do quadro técnico das diversas secretarias do Município de Porto Alegre quanto à adequação do projeto na malha urbana. O programa básico de arquitetura seria o resultado da interatividade de todos esses pareceres aliados às aspirações e às necessidades dos músicos e do público. Com cada segmento da sociedade contribuindo com suas especificidades, resultaria uma obra de expressividade única, obra esta que poderia tornar-se mais um símbolo do desenvolvimento cultural do Rio Grande do Sul.

O concurso público possibilita, pois, o debate e a participação de diferentes categorias de profissionais envolvidos diante do fato urbano proposto, com conseqüentes reflexos na conscientização do que seja urbano e do que é viver a cidade. O projeto e sua edificação são resultado da participação ampla, banindo os casuísmos dos favorecimentos e dos interesses políticos pessoais.
No entanto, é lamentável que haja uma tendência, em nosso meio, para um certo tipo de pensamento fragmentário, individualista e imediatista, que parece ter determinado a decisão da direção da OSPA sobre seu teatro. Sendo a OSPA uma instituição cultural do Estado, seria lógico que participasse de um contexto de iniciativas no campo cultural, que desse uma contribuição a esse contexto. Seria lógico que a oportunidade que a orquestra está oferecendo à cidade (construção de uma nova sala de concertos) fosse explorada ao máximo não apenas no sentido de se ter um espaço adequado a apresentações musicais, mas também no sentido de qualificar arquitetonicamente a cidade e a paisagem urbana, e de contribuir para um contexto de iniciativas para a cidade. Se construída na ponta da península, junto ao porto, por exemplo, e com um projeto arquitetônico de alto nível, oriundo de debates qualificados e de um concurso de arquitetura de grande amplitude, a sala de concertos não seria apenas uma sala de concertos, mas também um fato arquitetônico potente, um marco na paisagem urbana, um elemento forte a apoiar a revitalização do porto e, por conseguinte, a favorecer outras atividades culturais e de lazer e turismo. A construção de uma sala sinfônica é uma oportunidade única para uma cidade, uma oportunidade de se ter uma nova obra monumental, significativa, marcante. E Porto Alegre carece dessas oportunidades. Se perdida, outra não aparecerá tão cedo. É importante que pensemos nisto e que possamos da melhor forma aproveitar as chances que aparecem para qualificar a cidade. Um investimento de uma instituição pública como a OSPA pode dar muito mais à cidade do que uma sala apertada e ensimesmada, com pouca expressão e visibilidade num sítio pouco adequado e isolado de um conjunto de iniciativas que poderiam ser enriquecidas com a presença da orquestra e que, por sua vez, poderiam favorecer o próprio público desta.
A OSPA é um bem público, mantido com os recursos da sociedade, e, como tal, deve-se adequar aos procedimentos democráticos de transparência e debate. Não se trata de contestar as soluções passadas, mas lamentar as oportunidades desperdiçadas de se produzir arquitetura de qualidade.
O concurso público realizado teve projeto premiado e pago com recursos dos contribuintes. Agora, se por motivos técnicos irrefutáveis, este projeto vencedor não for mais adequado aos novos programas e exigências da OSPA e ao custo–benefício que dele resultaria, pelos altos investimentos na sua concretização, novo concurso público, isento de interesses exclusivistas, mobilizaria a toda a sociedade, que assumiria para si todo o processo.
Que a OSPA é um patrimônio da cultura dos gaúchos, todos temos a convicção.
Que a OSPA necessita de espaço, digno de sua grandeza, para suas atividades, é voz uníssona no Rio Grande do Sul.
Que a OSPA responde e responderá através da qualidade profissional e da abnegação de seus músicos e seus dirigentes pelos investimentos que a sociedade do Rio Grande inverte nela, é uma verdade inconteste.

Texto elaborado a partir de debate
entre as Comissões de Patrimônio e Urbanismo do IAB-RS.
junho/2005

Por: Diretoria Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB

Outras Notícias

Na mídia: “Depois de construído, é difícil reverter”: o que dizem especialistas sobre mudanças na fachada do Pontal Shopping

Especialistas em urbanismo avaliam que a readequação da fachada da loja Leroy Merlin, no Pontal Shopping, na zonal sul de Porto Alegre, traz pequenas melhorias no visual e no microclima, mas não resolve o problema de sua construção ter se tornado uma barreira à contemplação e à conexão da Avenida Padre Cacique com a orla do Guaíba. Em entrevista ao jornal Zero Hora, a co-presidente do IAB-RS, Clarice Oliveira, ressalta que “Uma parede verde de plantas naturais é positiva porque vai diminuir o calor naquele microclima, com menos concreto. Vai ficar mais agradável, mas continuará sendo um paredão sem interface com o outro lado. Não vai deixar de ser uma barreira”.

Leia Mais →

NOTA PÚBLICA SOBRE OS PROCESSOS DE IMPUGNAÇÃO NAS ELEIÇÕS PARA O CMDUA.

O IAB-RS expressa preocupação em relação à ausência de registro dos pedidos de impugnação apresentados pelo instituto no âmbito do processo eleitoral das entidades de classe ligadas ao planejamento urbano no Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (CMDUA). Conforme o cronograma estabelecido no edital 006/2023, utilizando os critérios estipulados no item 2.11 do referido edital, foi emitido um documento elencando 23 entidades que não demonstram caráter de atividades relacionadas ao planejamento urbano. Isso ocorreu após análise apropriada e indicação da regularidade dessas entidades para participação nas eleições do CMDUA.

Leia Mais →

Arquitetos vencedores do concurso de requalificação do Lago Joaquina apresentam projeto

Na tarde desta quarta-feira (10), os arquitetos e urbanistas do escritório OCRE, vencedores do Concurso Público Nacional de Arquitetura da Paisagem para Requalificação do entorno do Lago Joaquina Rita Bier, receberam a premiação de R$50 mil, assinaram o contrato de realização do projeto executivo e apresentaram a proposta vencedora para membros da Administração Municipal e comunidade.

Leia Mais →

Outras Notícias

Revelados os vencedores do Prêmio IAB-RS etapa estadual

Durante a Noite da Arquitetura, evento promovido pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul (CAU/RS), foram revelados os vencedores do prêmio IAB-RS José Albano Volkmer para as turmas de 2022. O evento foi marcado, também, pela posse do conselho do CAU/RS para o triênio 2024-2026.

Leia Mais →

IAB-RS assina acordo para consultoria no programa RS Seguro COMunidade

O Governador do Estado, Eduardo Leite, lançou, na manhã do dia 15 de dezembro, o programa RS Seguro COMunidade, no Palácio Piratini, em Porto Alegre. Desenvolvido no âmbito do RS Seguro, a iniciativa integra o eixo voltado para políticas sociais preventivas e transversais, cujo foco de atuação são os territórios em situação de vulnerabilidade socioeconômica e com indicadores elevados de crimes violentos letais e intencionais, consumados ou tentados. O o IAB-RS realizará três concursos nacionais, em que serão selecionados projetos urbanísticos integrados para três localidades: Umbu, Rubem Berta e Santa Tereza.

Leia Mais →

ARQUITETOS DE PORTO ALEGRE VENCEM CONCURSO QUE IRÁ REQUALIFICAR LAGO JOAQUINA RITA BIER EM GRAMADO

Na noite desta quarta-feira (13/12) foi realizada em Porto Alegre a cerimônia de divulgação dos vencedores do “Concurso Público Nacional de Arquitetura da Paisagem para Requalificação do entorno do Lago Joaquina Rita Bier em Gramado, RS”, promovido pela Prefeitura Municipal de Gramado (RS) com organização do Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento do Rio Grande do Sul (IAB-RS) e apoio da Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas (ABAP) e do IAB-RS Núcleo Hortênsias. Os grandes vencedores da noite foram os arquitetos e urbanistas Thiago Yuuki Kajiwara, Ananda Maciel Oliveira e Diego Flamia, do escritório OCRE Arquitetura, de Porto Alegre.

Leia Mais →

Prêmio IAB-RS recebe inscrições até o dia 13 de dezembro

Arquitetos e urbanistas das turmas de 2022 têm até as 23h59 do dia 13 de dezembro para inscrever o seu trabalho de conclusão de curso (TCC) no prêmio IAB-RS José Albano Volkmer, edição 2023. A iniciativa, concebida em parceria com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul (CAU/RS), premiará as ideias mais inovadoras e seus projetos inspiradores.

Leia Mais →