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Palestra Operação Urbana Consorciada do 4º Distrito

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O 4º distrito de Porto Alegre foi pauta de evento promovido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB RS) na noite desta quarta-feira (21/09). A palestra “Operação Urbana Consorciada do 4º Distrito: Plano Master”, foi ministrada pelo arquiteto e professor da UFRGS Benamy Turkienicz e teve como debatedores o arquiteto Iran Rosa e o historiador Francisco Marshall.

Pela sua localização estratégica e oportunidades espaciais o 4º Distrito em Porto Alegre constitui território que está a demandar um olhar especial por parte de todos os envolvidos na produção da cidade. Mediante convênio entre a Prefeitura de Porto Alegre e a universidade foi aberta a possibilidade de aprofundar esta discussão.

O desafio de promover a revitalização urbana e a reconversão econômica neste setor urbano foi apresentado por Benamy Turkienicz, envolvendo o processo de proposição de um Master Plan. O professor da UFRGS falou sobre a formulação de uma legislação com os conteúdos de uma Operação Urbana Consorciada, conforme Estatuto da Cidade, para esta parcela da cidade.

“O Quarto Distrito é o filtro de entrada e saída da cidade e podemos pensar como este grande filtro acaba sendo tão degradado, tão pobre de atividades econômicas, já que ele tem altíssima acessibilidade”, observou Benany.

"Temos obras urbanas que não foram pensadas pelo conjunto municipal como a Ponte do Guaíba, o Metrô, e a Avenida Farrapos, por exemplo. Porto Alegre teve obras de cunho metropolitano sem nenhuma reação com a trama viária municipal, e por causa desta inércia o setor oeste ficou isolado do resto da cidade", disse o professor.

A estratégia regional para o Quarto Distrito é criar programas econômicos e sociais em escala regional nas áreas de saúde, tecnologia da informação, economia criativa e educação superior. Como estratégica municipal a ideia é criar projetos de moradia, serviços, cultura e lazer.

"A ideia do sistema viário é que possamos ter essa ligação dos principais eixos de articulação municipal com eixos de articulação regional, visando atrair investimentos. Precisamos casar estas malhas e oferecer o que o município já tem, com sinergia dos modais integrados”, destacou o palestrante.

Segundo ele, o projeto busca potencializar parcerias públicas e privadas, visando financiamento destas estruturas. Também queremos estimular a criação de atividades econômicas e sociais, baseado consolidando arranjos produtivos locais.

O arquiteto Iran Rosa, debatedor do evento, se disse entusiasmado com a alternativa de desenvolvimento urbano, econômico, social e cultural para alavancar um grande processo revitalização num pequeno território da cidade. “A gente teima em acreditar que o projeto será sempre possível, e às vezes é, entretanto nem sempre como a gente pensou. Então, pergunto, de que modo este Master Plan vai acontecer e como a cidade vai absorver estas mudanças? E com que base nós podemos sustentar que o Master Plan aconteça com esta integração e eficiência desejada?"

Benany garantiu que uma das possibilidades é com a utilização do Estatuto da Cidade, o que não é uma novidade brasileira. "Não podemos ficar à mercê do Plano Diretor, que é mecanismo regulador e não tem a mesma capacidade que um projeto de reunir um conjunto de parceiros e atores de uma maneira bem definida com a dimensão tempo. Temos um caldo altamente realista, por si só o quarto distrito tem este potencial”, enfatizou.

O historiador Francisco Marshall afirmou que é um enorme desafio trabalhar numa área degradada, com esgotamento de ciclos sociais e econômicos. “Como ocorrerá a conversão de um bairro que já tem um perfil que não corresponde ao projeto?", questionou. Para o historiador, a iniciativa encontra uma cidade com pessoas que estão escaldadas com projetos fracassados como o do Cais Mauá, de baixíssima qualidade arquitetônica e falta de consistência econômica e escassez de diálogo. “A tua presença aqui já ajuda a termos um cenário importante de diálogo e reflexão. Mas ainda tememos a gentrificação de intervenções, marcada com uma presença massiva de capital concentrado”, revelou Marshall.

“Quanto o assunto é gentrificação a imagem que tenho é do bairro Cidade Baixa. Isso se reequilibra com o tempo, é um bom modelo de bairro. Existe um patrimônio cultural no Quarto Distrito e queremos resgatar o que já existiu. Tem famílias que estão lá há mais de 70 anos. Existem hábitos que queremos incorporar em novas tradições. É possível termos integração social”, acredita Benamy Turkienicz.

Vídeo do evento disponível em:
https://www.youtube.com/user/iabrstv

 

Por: Diretoria Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB

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