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Vencedor do concurso do Sistema Fecomércio assina contrato

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Liderada pelo arquiteto Emerson José Vidigal, a equipe da V.A. Arquitetura e Consultoria SS Ltda., de Curitiba (PR), foi a vencedora do concurso público promovido pelo Sistema Fecomércio-RS. Além de receber o prêmio de R$40.000, a equipe será contratada para executar seu projeto para a nova sede do sistema.

No último dia 2 de agosto, Vidigal visitou a capital gaúcha e assinou o contrato para a realização da obra. O empreendimento compreende uma área de 19 hectares na cidade de Porto Alegre, e comportará o Centro Administrativo do Sistema Fecomércio-RS, Sesc e Senac. Além de Centro de Convivência, Centro de Eventos Sesc e Centro Educacional Senac. O concurso foi realizado em parceria com o Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento do Rio Grande do Sul (IAB-RS), e teve 33 projetos inscritos.

Confira, abaixo, a entrevista com o coordenador da equipe que venceu o concurso.

IAB-RS: Porque seu escritório participa de concursos já que a possibilidade de ganhar é remota e a energia e os recursos que o escritório deve investir são enormes? Ou seja, o risco não é muito grande?
Emerson José Vidigal: De fato, na sua pergunta há varias respostas. A possibilidade é remota e os recursos mobilizados são enormes. Apesar do risco, muitos escritórios, principalmente aqueles que têm um quadro de profissionais jovens, buscando seu espaço na profissão, optam por esse tipo de caminho. Para nós, é uma maneira de conseguir trabalhos onde a qualidade do projeto é uma regra. O mercado da construção e as incorporadoras trabalham de maneira diferente quando selecionam arquitetos. Muitas vezes a qualidade arquitetônica é posta de lado, valorizando a lucratividade do empreendimento. Já num concurso, onde a competição pelo melhor projeto incrementa as soluções, a lógica é distinta e a qualidade dos trabalhos quando comparados resulta, geralmente, em bons edifícios.

IAB-RS: O que significa para o seu escritório ganhar um concurso desta relevância?
Emerson José Vidigal: Para nós, como equipe, significa reconhecimento por um trabalho que não se resume a esse momento. Você acaba fazendo vários concursos antes de conseguir um resultado positivo. Nesse meio tempo a equipe vai mudando bastante e muita gente boa que trabalhou conosco hoje já está em outros trabalhos. No fundo, essa vitória é de todas essas pessoas, que nos ajudaram a crescer.

IAB-RS: Já participaram de outros concursos?
Emerson José Vidigal: Desde 2004, quando participei da equipe vencedora do projeto para a Procuradoria da República, promovido pelo IAB-RS, estamos tentando conseguir outro trabalho através de concursos.
Nesse período, tivemos algumas “bolas na trave”, culminando com os 2ºs prêmios no concurso do TCA (Salvador-BA 2010) e CNM (Brasília-DF 2010).

Durante os 7 últimos anos, contando entre todos os membros da equipe, fizemos mais de 15 concursos. Em alguns tivemos prêmios, em outras menções. Com essa equipe é a primeira vitória.

IAB-RS: Qual a importância dos concursos para a qualidade da arquitetura?
Emerson José Vidigal: No Brasil, onde grande parte dos projetos de porte é contratada por processos de licitação, geralmente organizados no modelo preço + técnica, os concursos representam uma maneira de privilegiar a qualidade da produção e não só a economia no valor do projeto. Com isso, abre-se uma oportunidade de valorização da arquitetura, mas ainda há muito a percorrer nesse caminho. Imaginamos que possamos chegar a um nível de valorização dos profissionais da arquitetura e na demanda do mercado da construção que permita no futuro dispensar concursos de arquitetura. O ideal seria que todos os profissionais pudessem ser contratados sem ter que disputar espaço em competições, como é o caso de outros profissionais do setor de serviços.

IAB-RS: Porque não realizamos tão poucos concursos públicos se esta é claramente a forma mais adequada de contratação de serviços profissionais?
Emerson José Vidigal: Há resistência das instituições públicas e privadas que poderiam bancar esse tipo de seleção e até um certo preconceito de que o concurso leva tempo, de que a licitação é mais rápida.

Na verdade, as pessoas esperam que o projeto arquitetônico seja um ofício de rapidez, quando, na verdade, a lentidão é que precisa cadenciar esse tipo de projeto. O certo seria utilizar bastante tempo para conceber e desenvolver os desenhos, economizando tempo de canteiro de obra. Pressa na etapa de projeto só resulta em problemas futuros. O planejamento é tudo para o sucesso de qualquer empreendimento. É preciso, então, pensar com cautela em cada decisão de projeto, refletindo sobre os problemas com cuidado.

IAB-RS: Qual o papel do IAB, e futuramente do CAU, na ampliação dos concursos como política pública?
Emerson José Vidigal: Acreditamos que o CAU terá desafios grandes pela frente. O primeiro, no nosso entender, é a valorização do papel dos arquitetos perante a sociedade. Se o CAU fizer isso, será o maior passo dado pela profissão desde a fundação do IAB. Isso se faz em duas frentes: na formação dos arquitetos na escola, que precisa melhorar, e com estratégias de marketing que esclareçam à população sobre como o arquiteto trabalha.

Quanto aos concursos, fala-se muito que eles são a maneira mais democrática de selecionar projeto. No fundo, os concursos são só o primeiro passo. Hoje, no Brasil, eles significariam incremento na qualidade da arquitetura brasileira. A longo prazo, no entanto, devemos evoluir para que todos possam fazer arquitetura de qualidade, sem passar por processos seletivos.

Por: Diretoria Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB

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