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CELEBRAÇÃO DAS CIDADES

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INTRODUÇÃO
Hoje, mais da metade da população mundial vive em cidades e aglomerados urbanos.
Em comparação com a vida no campo, a vida nas cidades parece, definitivamente, mais promissora, por oferecer aos habitantes possibilidades de natureza tanto econômica quanto cultural que não existem no campo. A promessa de uma vida melhor constitui um incentivo ao êxodo rural, cuja intensidade tem variado ao longo dos séculos.
Particularmente intensa no século XIX, essa migração se justificava pelo fato de que o emprego e a renda eram mais atraentes na cidade do que no campo. Hoje, especialmente nos países em desenvolvimento, as cidades – particularmente as grandes cidades e metrópoles – continuam a atrair as populações rurais, embora não tenham mais tantos empregos a oferecer – pelo menos no setor formal da economia.
Há algumas décadas, urbanistas e sociólogos, e até mesmo escritores, julgavam que o problema das cidades poderia e deveria ser resolvido no campo. Hoje, admitimos que o processo de urbanização é irreversível, mas também nos damos conta de que, em muitos países, nem as autoridades nacionais ou municipais, nem os urbanistas dispõem dos meios necessários para controlar o crescimento urbano.
Assim, as cidades apresentam um contraste gritante: produzem uma grande parte da riqueza de um país, mas também arcam com o ônus mais pesado da pobreza.
Durante muito tempo, as políticas habitacionais tiveram como objetivo exclusivo satisfazer as necessidades de moradia, convencidas de que a “moradia para todos” resolveria os problemas dos grandes aglomerados e criaria cidades saudáveis e sociáveis.
Entretanto, a experiência das últimas décadas tem mostrado que essa convicção não passava de uma visão simplista do problema.
Os extensos programas habitacionais, os imensos complexos, e mesmo as novas cidades, raramente deram origem a uma urbanidade e uma vida urbana verdadeiras com toda a sua diversidade, oferecendo todas as possibilidades que os habitantes têm o direito de esperar de sua cidade.
A despeito de suas deficiências e dos perigos que representam, as cidades e os aglomerados devem ser aceitos como uma realidade que não pode ser substituída pela ficção ou por uma utopia cujo futuro será sempre incerto.
O programa “Celebração das Cidades” da UIA deveria servir como uma oportunidade para que os arquitetos do mundo proponham uma série de projetos realistas e factíveis, em concordância com os municípios interessados.
Inicialmente, três tipos podem ser destacados:
a) A cidade histórica
No transcorrer dos anos, as razões que deram origem à criação de muitas de nossas cidades foram perdidas e não mais correspondem – ou, se o fazem, isso acontece de forma bastante reduzida – às necessidades de uma cidade contemporânea, com as realidades sociais e culturais afins. Embora esforços notáveis tenham sido freqüentemente empreendidos no sentido da restauração de nossos monumentos e centros históricos, o mesmo não pode ser dito a respeito de moradias e infra-estruturas.
Entretanto, os monumentos somente podem existir se forem parte integrante de um tecido urbano, com uma população que aceite a estrutura histórica, esteja motivada a preservá-la e pronta para renová-la.
Podemos observar, portanto, que enquanto os esforços são concentrados na preservação de monumentos, o habitat e a qualidade de vida estão se deteriorando. Em outros casos, é a ausência de coordenação entre os vários serviços técnicos da cidade que prejudica a implementação de quaisquer projetos coerentes. Cada vez mais, o papel e o apoio dos habitantes representam um ativo indispensável no sucesso de qualquer operação de renovação em um bairro, um complexo, ou uma cidade.
b) Grandes complexos habitacionais – periferias das metrópoles.
Os grandes complexos habitacionais criados, de um modo geral, desde a década de 50 em quase todas as cidades e, particularmente, nas periferias de cidades e metrópoles para satisfazer as necessidades urgentes de moradia da forma mais rápida possível, hoje requerem uma reflexão e programas substanciais de restauração, do ponto de vista tanto arquitetônico quanto social, a fim de que se possa redefinir a convivência, que constitui uma necessidade primordial para a vida em sociedade.
Naquela ocasião, era definitivamente necessário atender às necessidades, nas proximidades dos aglomerados urbanos, do influxo das centenas de milhares de famílias atraídas pelo sonho urbano. Mas nem a conscientização política, nem os conceitos de urbanização ou as capacidades técnicas e financeiras correspondiam à magnitude da tarefa..
Assim, logo ficou claro que essas construções, geralmente projetadas como torres ou blocos, em resposta à situação econômica, apresentavam problemas do ponto de vista não apenas de técnicas de reconstrução e manutenção, mas também, e sobretudo, do ponto de vista social. Isso se aplica tanto aos países industrializados quanto aos países em desenvolvimento.
A segregação social, a marginalização e, em muitos casos, o risco de um surto de criminalidade resultante, são características desses grandes complexos habitacionais.
As autoridades municipais freqüentemente admitem, de fato, sua incapacidade para gerenciar essas áreas “sensíveis”.
Aqui, mais uma vez, nos defrontamos com um tópico de suma importância que merece, mais do que muitos outros, a atenção máxima de arquitetos e urbanistas que são convocados a desenvolver, em consulta com os decisores políticos, idéias para melhorar essa situação não apenas nos níveis estético e de construção, mas também do ponto de vista social.
Aqui, mais uma vez, uma série de projetos experimentais precisa ser desenvolvida e aplicada em estreita associação com os usuários.
c) Habitat precário – favelas.
Um dos temas raramente abordados por arquitetos e urbanistas é o do habitat precário. Pode-se observar que em alguns países, e em torno de determinadas cidades, a porcentagem da população que vive em moradias ilegalmente construídas excede facilmente 60% da população urbana. Como dizia Jorge Hardoy, um eminente historiador de cidades latino-americanas, “Os pobres são os principais arquitetos e urbanistas na América Latina”. E isso se aplica não apenas a essa parte do mundo; o mesmo fenômeno é característico da África e da Ásia, e talvez até mesmo da Europa.
Os barracos que são progressivamente construídos nas periferias das cidades, em morros perigosos e locais insalubres, essas “invasões”, esses “bairros”, essas “favelas” são geralmente considerados o flagelo do tecido urbano, e seus habitantes “irregulares”, “imigrantes ilegais”, “marginais”. Apesar da extensão e do impacto desse tipo de habitat, poucas pesquisas têm sido realizadas sobre sua origem, seus habitantes, suas estruturas sociais e, menos ainda, sobre sua situação econômica.
São raras as ocasiões nas quais os arquitetos se envolvem nessas áreas, e pouquíssimos programas foram criados para melhorar a condição de vida de seus habitantes aos quais, em geral, falta tudo: infra-estrutura, escolas, serviços de saúde, transportes, etc.
Entretanto, ficamos surpresos quando observamos que muitas dessas cidades “ilegais” funcionam de forma eficiente, conforme um modelo tradicional de hierarquia social e estrutura comunitária.
E, mesmo do ponto de vista arquitetônico, podemos freqüentemente encontrar formas tradicionais de construção e decoração que fazem parte das tradições ancestrais de seus habitantes.
Esses habitantes são capazes de construir suas próprias casas e não necessitam de um “projeto arquitetônico”, mas sim da assistência e participação de um arquiteto em seus esforços para melhorar o ambiente em que vivem.
Talvez o termo “participação” pudesse agora assumir um novo significado, que inverteria os papéis tradicionais.
Consideramos que a profissão deve se concentrar, urgentemente, nesse aspecto do habitat. Entretanto, reconhecemos que as formas habituais de prática profissional não estão devidamente adaptadas para permitir intervenções nas áreas de moradias precárias.
O ideal é que métodos de intervenção e projetos sejam desenvolvidos – com toda a precaução e modéstia necessárias – para áreas selecionadas.
À luz do fato de que muitos outros temas poderiam ser identificados e desenvolvidos no que se refere ao tópico do programa “Celebração das Cidades”, lançado por seu Presidente, Jaime Lerner, a UIA hoje gostaria de passar a palavra aos arquitetos do mundo, convidando-os a refletir sobre a questão e apresentar projetos para corrigir essas falhas observadas em suas cidades.
Essas propostas excepcionais, que podem ser comparadas a um programa de “acupuntura urbana”, possibilitariam não apenas a identificação e análise desses desequilíbrios, como também a sugestão de idéias concretas para remediá-las.
Espera-se que a consulta internacional que está sendo organizada permita não apenas a apresentação, no Congresso da UIA em Istambul, em 2005, de idéias que atendam exclusivamente a um determinado número de aspectos problemáticos das cidades, como também a execução de algumas dessas idéias, graças à mobilização de outros atores na arte da construção, que são os decisores políticos e financeiros.
Uma Celebração das Cidades
A cidade é a maior invenção da humanidade.
Uma cidade não é apenas o local onde as pessoas residem, mas também onde buscam auto-evolução e procuram aproveitar ao máximo sua existência.
Os arquitetos são profissionais abençoados porque, mais do que ninguém, dispõem dos meios para se envolverem profundamente com a cidade. Isso, por si só, já seria razão suficiente para celebrar, mas podemos conquistar muito mais.
Todo arquiteto tem uma boa idéia para sua própria cidade. A UIA lhes dará a oportunidade de mostrar essas idéias, mobilizando arquitetos de todo o mundo para a criação de projetos factíveis, capazes de capturar o imaginários das cidades e sensibilizar seus administradores.
Ações que levem a cidade a reagir. Que cutuquem uma área de tal forma que esta ajude o todo a se curar, a aprimorar-se, a criar reações positivas.
Reações em cadeia. Reações que intervenham para revitalizar, fazer o corpo trabalhar de forma diferente. Em cidades que obtêm sucesso nesse tipo de transformação, existe a possibilidade de um começo, de uma ascensão. É isso que leva uma cidade a reagir.
O planejamento urbano é um processo que, mesmo na melhor das hipóteses, não pode produzir mudanças imediatas.
Quase sempre, é uma faísca que aciona a seqüência de ações.
Uma verdadeira “acupuntura urbana”.
O programa Celebração das Cidades é um enorme processo de apoio à cidade, de resgate de sua essência como um local de reuniões, um local para a criatividade e a solidariedade. Seu objetivo é atuar como promotor de projetos que melhorem a vida das pessoas e como facilitador de “acupunturas urbanas”.
Muitas comunidades subdesenvolvidas podem ser assistidas por esses projetos.
O valor social dessa ação é razão suficiente para participação. Ademais, o programa Celebração das Cidades promoverá uma troca valiosa de experiências, hoje muito limitada, permitindo que os projetos sejam compartilhados quase que instantaneamente em todo o mundo. O projeto será o último fórum para que os arquitetos mostrem seu valor e recuperem o espaço que vem sendo gradualmente perdido no transcorrer das últimas décadas.
Por meio dessa consulta internacional, tudo isso será possível. Com todas essas idéias sendo fomentadas simultaneamente em todo o globo, em breve haverá grandes projetos novos, centenas deles, uma verdadeira Celebração das Cidades.

Por: Diretoria Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB

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